quinta-feira, novembro 03, 2005

fruit salad, Tokio

Há quem diga que é a minha segunda casa...
E, realmente, a par com pálácio de cristal, é o síteo, sem ser a faculdade ( fica bem dizer ), aonde passo mais tempo.
Quer seja como abrigo da chuva, ou do mau génio matinal, saciante da barriga esfomeada de cultura, a fnac é sempre um bom síteo para quedar o corpo arrastado inconscientemente até à sua morada.
Primeiramente, logo após entrar, lança-se um olhar panorâmico sobre a ala, ou sacode-se o capote dado à intempérie, e pega-se num rompante gesto no programa da quinzena, desfolhando-o até ao dia presente para ver que entretenimento nos calhou na cartola para a data em questão. Entretanto dou por mim na outra ponto do outro lado da casa cultural sem saber como fui lá parar ou quantas pessoas atropelei pelo caminho, e logo eu que ando sempre atento às outras pessoas quando não ando distraído.
Câmara digital, bonita bonita; uma de filmar, mais linda mais linda; o jeitoso leitor de mp3, em todas as cores para dar com as meias do dia, e com o cachecol, e a bandolete; o pc portátil também já se agradecia... ai a ganância, ai a desventura se eu tivesse mais uns trocos, ou se fosse afurtonado por um prémio monetária do sorteio numérico da moda. E depois lá me consciencializo e lembro daquela frasezita que vi já não sei em que parede, e logo eu que me lembro, por que gosto, das frases de intervenção urbana, menos quando me esqueço. E dizia: 'Pobres daqueles que querem ser ricos ' e assim me contento com tudo aquilo que me é dado a conseguir pelo meu próprio esforço e assim também me apercebo que já ando a pastar há tempo demais.
Vou à secção dos livros e como dois. Um de design de interiores, soube-me bem; outro de fotografia, soube melhor. Insatisfeito, mudo de armário e vou buscar uma estória infantil, com desenhos catitas, uma banda desenhada conhecida, mais uns livritos ilustrados ou outro de poemas, publicidade, desenhos para t-shirts, fotos de biclas do século anterior, selos da antiguidade, casas da china, chinocas vestidas, paisagens despidas, tatuagens nos síteos mais recondidos do corpo humano e não só... tudo numa misturadora, agitar bem, deixar assentar durante dois minutos e depois enfiar tudo de uma vez sem se preocupar com a linha.
Já em orbita com milhares de ideias para mudar o mundo e também a minha vida, vou ouvir umas musiquitas para acalmar a ansia, e convencer-me que eu não vivo assim tão mal e que apesar de não levar nenhuma vida de artista, sempre dá para ir fazendo umas coisitas que me dão realmente muito prazer e já trago comigo uma caixinha de sensações fortes que tenho vindo a colecionar ao longo dos anos.
Ouço umas novidades, vejo mais uns cd's, mais uns dvd's, umas edições especiais, umas raridades inadiáveis, respiro, inspiro, 'eu sou feliz eu sou feliz', digo com força para mim para não me deixar levar pela gula mental que às vezes me invade.
Café. Copo de água. Uma tarde bem passada.